#50 José Alberto Rio Fernandes

José Alberto Rio Fernandes - Professor Catedrático da Universidade do Porto | Julho 2020
 
Nome: José Alberto Vieira Rio Fernandes
Naturalidade: Gondomar
Idade: 61 anos
Formação académica: Licenciatura (1980), Mestrado (1985), Doutoramento (1993) e Agregação (2003) em Geografia (Humana).
Ocupação profissional: Geógrafo / Professor da Universidade do Porto.
 
1 - Comentário a um livro que o marcou, ou cuja leitura recomende.
É difícil escolher só um livro. A ter de ser apenas um, é Cities of Tomorrow, de Peter Hall. Há belos livros de geógrafos portugueses e muitos outros mais que, sem ser de autores portugueses me marcaram muito também e cuja leitura recomendaria. No extremo, poderia dizer que tudo o que li contribuiu de alguma maneira para a minha formação como geógrafo e recomendaria muitos mais. Por isso, é melhor mesmo que fique apenas Cities of Tomorrow, livro sobre cidades e urbanismo que marcou quando o deu, indelevelmente, o então jovem professor de Geografia Urbana. Trata-se de um guia para a descoberta das cidades e do urbanismo que nos apresenta os que as pensaram e procuraram resolver os seus problemas que, o mesmo é dizer, procuraram melhorar a vida dos que nelas viviam ou viriam a viver, incluindo nós e os que nos seguirão. 
O livro tem uma estrutura que me desconcertou na altura em que o li e a sua escrita, fluída, fez dele um daqueles que me deu um tal prazer que, ao mesmo tempo que apetecia terminar, não queria que acabasse. Felizmente Peter Hall tinha outros à minha espera e foi escrevendo sempre mais, igualmente belos, de que destaco o último que escreveu, de título muito inspirador: “Good Cities, Better Lives”. Fui, entretanto, aumentando a leitura de artigos de revista. Mas, para alguém apaixonado pelas novidades, Cities of Tomorrow marcou-me não apenas pelo encanto da escrita e pela profundidade do pensamento, como pela demonstração da importância do conhecimento consolidado, da reflexão associada ao tempo longo, o quem me impôs a necessidade de, por um lado, equilibrar os clássicos com as últimas novidades e, por outro, de considerar sempre as últimas soluções de urbanismo à luz do que já muito se tinha pensado e feito nos mais variados contextos geográficos, culturais e económicos.
Como se compreende, não foi por acaso que escolhi Peter Hall para a conferência de abertura no 1º Encontro Internacional do CEGOT que gentilmente acedeu e proferiu na sala 2 da Casa da Música, no Porto há uns anos! Tive também muito gosto em poder apresentá-lo no encontro organizado pela Ordem dos Arquitetos em Serralves e, claro, não podia deixar de aproveitar a ocasião para ter uma dedicatória no meu Cities of Tomorrow!
Como pequena nota – mas muito especial – com a liberdade que sei que a APG dá aos entrevistados, não posso deixar de registar a importância que teve em mim um outro livro, “O espaço urbano do Porto: condições naturais e desenvolvimento”, obra a cuja 2ª edição tive o gosto de estar associado e cujo autor, José Manuel Pereira de Oliveira, Doutor Honoris Causa pela Universidade do Porto e Cidadão de Honra, Grau Ouro, da Cidade do Porto, tive o gosto de ter por mestre.
 
2 - Que significado e que relevância tem, no que fez e no que faz, assim como no dia-a-dia ser geógrafo?
Ser geógrafo para mim tem toda a relevância. A formação marca sempre o que cada um é e faz. Como professor universitário, tenho tido a possibilidade de aprender e procurar ajudar a aprender Geografia, sobretudo em domínios ligados a questões urbanas e outros ligados ao planeamento e desenvolvimento territorial, a que tenho procurado associar desempenho mais técnico. Além disso, ser geógrafo marca seguramente a forma como vejo os campos, as ruas, as pessoas, a vida e o mundo em geral. Como considero essa leitura diversa de outras e considero que acrescenta valor e, por isso, pode contribuir para encontrar soluções mais adequadas a um futuro melhor, procuro contribuir à escala local, regional ou nacional, seja na academia, na comunicação social ou na política. Grão de areia para um mundo melhor! Ilusão? Talvez! Ainda assim, gosto de pensar que é melhor isso que indiferença!
 
3 - Na interação que estabelece com parceiros no exercício da sua atividade, é reconhecida a sua formação em Geografia? De que forma e como se expressa esse reconhecimento?
Quando completei a minha licenciatura, tive a oportunidade, muito rara, então como hoje, de exercer em regime liberal a profissão de geógrafo, ainda que esta fiscalmente não existisse, como hoje. Em paralelo, fui admitido por concurso na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, em regime de não exclusividade, como assistente estagiário. Foram tempos intensos e de grande aprendizagem, em que, além da docência e da dissertação de Mestrado e depois da tese de Doutoramento, pude colaborar na elaboração do Plano Geral de Urbanização do Porto no então Gabinete de Planeamento Urbanístico. Pela mão de Pereira de Oliveira (o primeiro a associar a Geografia ao planeamento urbanístico e a abrir curso de Mestrado fora de Lisboa), foi no Gabinete de Planeamento Urbanístico que percebi o que era um geógrafo. No confronto com os arquitetos Victor Mogadouro e José Manuel Patrício Martins, a engenheira Ana Paula Martins, a paisagista Teresa Andresen, o economista Tomaz Dentinho, o sociólogo Adriano Zilhão, entre outros, alguns mais velhos e outros que chegaram mais tarde, todos sob coordenação de Duarte Castel-Branco, que aprendi que um geógrafo (no meu caso, pelo menos) tinha a capacidade de compreender a linguagem de todos, podendo perceber diferentemente dos demais o que a cidade é enquanto realidade física, social e económica, com várias escalas e animada de uma dinâmica.
Das conversas lembro-me, sobretudo, o que ia conseguindo acrescentar na consideração das atividades económicas à compreensão da dimensão física e dinâmicas, assim como dos debates em conseguia participar sobre a dimensão espacial das desigualdades sociais. Ficou-me desse tempo também algo que procurei manter sempre: por um lado, procurar aprender com casos concretos, para poder ser melhor professor; por outro, recusar a participação em planos ou projetos apenas em fase de caraterização ou diagnóstico.
Desde então (anos oitenta), felizmente, os geógrafos têm ganho significativo reconhecimento. Pessoalmente, quanto ao reconhecimento que é feito da Geografia, a partir do que eu digo e faço, admito que a amplitude dos meus interesses científicos e dos temas que abordo em debate público, artigos semanais no Jornal de Notícias e algumas passagens pela televisão, possa provocar alguma perplexidade. Seguramente, ficará desfeita a associação da Geografia a países e capitais (ainda que eu saiba de memória a maioria, desde que me entreve a memorizá-las numas férias de verão de aos 10 anos). 
 
4 - O que diria a um jovem à entrada da universidade a propósito da formação universitária em Geografia, sobre as perspetivas para um geógrafo na sociedade do futuro? E a um geógrafo a propósito das perspetivas, responsabilidades e oportunidades?
A alguém a entrar na universidade, a propósito da formação em Geografia, eu diria que, antes de mais, deve aproveitar bem os anos que tem pela frente, para aprender o mais possível. Deve aprender com os professores, contando com a sua diversidade e também com os livros e artigos de revista, na biblioteca, assim como com aquilo a que pode aceder na Internet, e com os colegas. Irá aprender por vezes com prazer, outras vezes sem prazer. Refletindo, mas também memorizando.
Se vale a pena aprender Geografia? Claro que sim! Acredito, de facto, na vantagem de se cruzar o conhecimento que vem das ciências sociais com o das ciências naturais e de se construir especializações a partir de encontros centrados na dimensão espacial. Creio também na Geografia pela vantagem da produção de políticas de base territorial integradas, capazes de construir uma abordagem que terá de considerar uma perspetiva multiescalar. Ou seja, considero que o conhecimento geográfico tem enorme potencial, ainda que, a meu ver, o mais importante não seja, necessariamente, ser-se geógrafo, mas antes o conhecimento geográfico e o prazer de se estar sempre a aprender, a paixão pelos lugares e regiões, suas características e dinâmicas. O que pode ser comum a outros, ainda que se exija ao geógrafo!
Vejo, por isso, muitas possibilidades, em várias especializações e em vários desempenhos, assim se reconheçam mais as competências a quem esteja dotado dos necessários conhecimentos, se contrate mais pelo mérito e possam os geógrafos reunir melhores condições para a criação das suas empresas e terem a possibilidade de concorrer de forma mais justa com outros para lugares e trabalhos, designadamente na administração pública (que bem precisada está de valorizar mais a Geografia, como se vê em várias medidas de política centralista, reveladora de uma evidente iliteracia geográfica que desrespeita a diversidade do país e promove a ineficiência).
 
5 - Queríamos pedir-lhe que escolha um acontecimento recente, ou um tema atual, podendo ambos ser de âmbito nacional ou internacional. Apresente-nos esse acontecimento ou tema, explique as razões da sua escolha, e comente-o, tendo em conta em particular a sua perspetiva e análise como geógrafo.
A pandemia é – ainda – o tema inevitável. De tal forma o é que me apetecia – já – escolher outro. Mas, “vou a ele”, ainda que por uma forma algo diversa da habitual, a propósito do que pode mudar nas cidades. Será uma leitura apressada, superficial até, ao ser feita “on going” e não, como se aconselha em ciência, depois de haver informação tratada e reflexão maturada. Paciência, afinal trata-se de entrevista e não tenho a pretensão de acrescentar aqui algo de muito relevante. 
Há um conjunto de mudanças que estão a acontecer nas cidades, ou melhor, nos grandes espaços urbanos a que chamamos cidades e que podem não ter não ter relação direta com as delimitações que correspondem ao que em Portugal obteve o título honorífico de cidade. De forma muito simplificada, diziam muitos que os espaços urbanos, já antes da pandemia do covid-19, estavam a ficar mais estendidos, complexos e a abarcar uma percentagem cada vez maior de residentes, assim como a concentrar cada vez mais poder económico e político dos países e do mundo. No seu centro, o que no caso de Portugal significa sobretudo Lisboa e Porto (no contexto das “regiões urbanas” Viana-Aveiro e Leiria-Setúbal), a pressão era imensa, face ao aumento de visitantes e dos preços do imobiliário.
Pontos prévios:
- Com as epidemias, Londres fez uma cidade nova e, em Paris, Haussmann abriu parques e avenidas largas, onde plantou árvores. No Porto, após a cólera dos anos trinta do século XIX as famílias burguesas abandonaram a proximidade do Rio Douro e a cidade passou a marcar-se pela dualidade entre a parte antiga e a parte alta e plana onde se desenvolveu no final de Oitocentos e ao longo de todo o século XX.
- Li “A Terceira Vaga” de Alvin Toffler no início dos anos 90 do século passado, falava do aumento da população nos campos. Muito antes, Frank Llloyd Wright já tinha dito que as “as cidades já não eram modernas” depois da invenção do telefone, mais ainda com a chegada do automóvel e que o transporte aéreo permitia colocar todas próximas.
Pelo que se vai vendo, não parece que o coronavírus justifique a demolição da “velha cidade”. Tampouco é certa uma migração para o campo. Todavia, semanas de encerramento em casa implicam mudanças em cada um de nós e há sinais que é bom interpretar, até porque há tendências que vinham de antes. Sei que uns, como Bernard Preel, dirão que o que digo entra no domínio da previsão e pré-visão é bruxaria. Sei também que, nestas coisas, agradará mais a uns a posição extremada, seja a ideia que, passada a crise (sanitária e económica), “tudo ficará como dantes”, seja o seu oposto, ou seja, que “nada ficará como dantes”. À cautela, deixo informações e interrogações.
1. Uma empresa a que um amigo meu está ligado tem comprado terrenos onde se pode construir, localizados a cerca de 20km, ou seja, a cerca de 20 minutos, do centro do Porto. Tem-nos vendido junto com casa modular que constrói em apenas 3 meses, de acordo com projeto feito à medida, a quem quer abandonar apartamentos que habita na cidade. Entretanto, os jornais informam-nos que os preços do imobiliário para escritórios descerem em Lisboa e no Porto. São sinais, entre outros, de um processo de suburbanização – ou será já contraurbanização? – que parece estar de volta. Há menos procura pela cidade central, não apenas pelos turistas, mas também para residentes, e maior atração pelos espaços de baixa densidade que a Internet favorece como nunca antes. Estudos para a região urbana de Paris apontam para a possibilidade de metade do emprego poder ser feito à distância: será que o vaticínio de Alvin Toffler e do seu “chalé eletrónico” se vai cumprir agora e vamos, muitos, viver na extensão periubana?
2. Em várias cidades, no seu tecido mais consolidado – a cidade central das regiões urbanas –, o espaço pedonal é significativamente aumentado, sacrificando-se o espaço dos automóveis. O processo de reversão do funcionalismo de pós-guerra e da “cidade das velocidades mecânicas” acelera brutalmente em quase todo o lado. Já ninguém estranha que em Oslo apenas possam estacionar automóveis elétricos e por isso não se vejam outros (e de facto, quase nenhuns), que se pague para entrar de carro em Londres, ou que seja proibido haver lugar para estacionamento nos prédios de Tóquio. Acelerado pelo efeito covid19, será que daqui a uns anos acharemos até bizarro como pudemos durante tanto tempo suportar o escape dos automóveis nas nossas cidades, tal como em finais do século XIX confundíamos as chaminés das fábricas com o progresso? 
 
6 - Que lugar recomendaria para saída de campo em Portugal? Porquê?
Porto. A ser um lugar para saída, tem de ser o Porto! Mas, como o Porto não é um lugar, a ser um lugar no Porto, sugiro a Praça da Liberdade, praça de vários nomes, entre os quais Nova das Hortas e de D. Pedro IV, mas que, como Alberto Pimentel tão bem sublinhou há mais de cem anos, no Porto se conhecia – e conhece – apenas e formidavelmente como “a praça”. O encontro pode ser junto à estátua do rei soldado que aqui esteve cercado e deixou o coração à cidade e que está guardado na Igreja da Lapa.
Podemos aprender muito apenas pela observação, se a isso juntarmos informação e alguma reflexão. Comecemos voltados para sul, acompanhando o olhar de D. Pedro IV sobre o magnifico imóvel que foi o convento dos frades Loios. O Hotel Intercontinental marcou o arranque do turismo intenso no Porto, como o convento marcou a abertura da cidade a Norte, demolindo-se no início do século XIX a muralha que D. Afonso IV tinha mandado construir e D. Fernando completado no século XIV. Quando os bens dos frades passaram à posse do Estado, aquando da extinção das ordens religiosas decretada com o triunfo liberal (em 1834), esteve nas mãos de brasileiro de torna-viagem, de seu nome Cardoso, passando pela sua morte à sua mulher e filhas, o que explica que até hoje seja conhecido como a Casa das Cardosas.
Do lado oposto, no topo Norte da praça, ficaram até 1916 os Paços de Concelho. É em torno da “praça” que se afirma na segunda metade do século XIX a “Baixa”, a qual, curiosamente, no caso do Porto, emerge à cota alta, em contraponto com a Ribeira, o Largo de S. Domingos e o Infante, lá em baixo, junto ao Douro. Além da presença dos Paços do Concelho, dos mosteiros e igrejas e do eixo que João de Almada cria entre a Batalha e os Clérigos, é aqui e nas ruas mais próximas que se fixam no final de Oitocentos e no início de Novecentos os estabelecimentos mais elegantes, como os de Courrège, Morin, Birra e muitos mais, ou o famoso botequim de Guichard, por onde passa Camilo. Aqui se fez sentir o trânsito das pessoas que chegam de comboios desde 1896, de americano e depois de elétrico, aparece o primeiro táxi e é colocado o primeiro sinaleiro, bem na frente da Igreja dos Congregados. É o lugar da novidade, o que faz da praça pequena para ser a principal de uma cidade cuja população mais que duplicara entre 1864 e 1900. 
À praça vai-se acrescentar, para Norte, uma “avenida central”. Para o projeto, depois de muito debate, o assunto é resolvido, como é habitual noutras matérias, com recurso a estrangeiro, inglês no caso, o que se compreende bem no Porto do vinho fino, curiosamente de alguém ligado ao movimento da “cidade-jardim”, Barry Parker. É o tempo de Elísio de Melo à frente do pelouro do urbanismo da Câmara do Porto, quando os prédios adquirem outro volume, como o testemunham o Mercado do Bolhão, ou os que se constroem nos terrenos que eram das Carmelitas, ou o Banco de Portugal que se fixa então na praça e persiste ainda hoje, do seu lado ocidental.
A Avenida dos Aliados consolida “o centro” ao longo do século XX, permitindo a concentração neste eixo do setor financeiro e de empresas as mais diversas, designadamente de profissionais liberais, agências de viagens, stands de automóveis e cafés-salões, como o Imperial, entretanto tomado por uma cadeia de fastfood, como se pode ver do lado nascente. Mas talvez que o mais marcante ao longo do século passado, na “praça”, seja a dimensão simbólica da condição de centralidade, marcada no modo como até hoje as pessoas tendem a juntar-se aqui em todo o tipo de manifestações, como a que ocorreu no formidável 1º de maio de 1975, ou outras, em que de forma planeada ou espontânea se juntam, reconhecendo este espaço como o lugar óbvio para o encontro de todos. 
Neste percurso apressado no tempo a partir dum lugar, falta uma referência a dois períodos recentes. Um primeiro inicia-se nos anos oitenta e coincide com a perda de prestígio da Baixa, seja pela dificuldade de acesso e estagnação do comércio independente, seja pela afirmação da Boavista e, pouco depois, dos hipermercados e centros comerciais duma cidade mais alargada (e multimunicipal), onde triunfa o automóvel e a habitação própria que promove a suburbanização. Um segundo marca uma “nova vida” da “cidade histórica.” Iniciar-se-á porventura com a classificação de Património de Humanidade e muitas e importantes obras no espaço público aquando da celebração da Capital Europeia da Cultura em 2001, continuará com a criação da rede de metro ligeiro (com obras na Praça da Liberdade e Avenida dos Aliados) e será prolongada com investimentos públicos e privados apoiados por fundos europeus e um crescente interesse turístico, para o qual muito contribuem diversos fatores, entre os quais a ampliação e modernização do aeroporto e a acrescida notoriedade internacional da cidade.
Por fim, junto ao D. Pedro IV, importa refletir sobre o futuro deste lugar e de toda a cidade, sobretudo a cidade central, histórica e mais densa, nos seus últimos anos tão dependentes do “comer, dormir e comprar” e de quem a visitava, quando o número de voos se reduziu tão drasticamente e os destinos massificados ficaram tão menos atraentes, sem que ninguém saiba quando – ou se! – o turismo tal quando o conhecemos regressa.
 
7 – O que significou para si exercer a presidência da APG?
Sem me querer substituir à avaliação que resulta da apreciação em Assembleia Geral de relatórios e contas dos anos em que exerci o mandato, não fujo ao desafio que a pergunta encerra. Considero que há uma palavra central na resposta: oportunidade. Exercer a presidência foi, para mim, uma oportunidade, para:
1. Procurar retribuir a confiança que depositaram em mim dois amigos que eram presidentes de direção e da assembleia geral e que terão admitido que eu poderia reunir qualidades que os levaram a desafiar alguém que morava longe de Lisboa para assumir a presidência da APG. Entre os telefonemas do João Ferrão e de Rui Pedro Julião e o almoço com o Rui Pedro Julião, a decisão estava tomada, pelo que a agradável conversa no Moinho de Vento apenas serviu para confirmar que iria dar o meu melhor pela APG, a pensar nos geógrafos e, sobretudo, na Geografia;
2. “Arrumar a casa” e criar rotinas, reforçando a confiança dos associados, dos geógrafos e de todos os que contactassem com a APG, ao mesmo tempo que reforçávamos a capacidade económica, aumentávamos o número de associados com pagamento regular e equilibrávamos a distribuição geográfica dos associados;
3. Reforçar a notoriedade da Geografia, com amplo recurso à comunicação, mas também através de reuniões e comunicados, sempre que possível com outros, ou junto de outros, entre os quais a Associação Geográfica de Espanha, a Associação de Professores de Geografia, associações profissionais, de arquitetos, engenheiros, paisagistas e urbanistas, instituições da administração pública, académicas e de investigação, empresas, professores e outros profissionais;
4. Ver a APG reconhecida na União Geográfica Internacional e como entidade formadora de professores;
5. Fazer amigos de colegas de reuniões mensais (por videoconferência), algumas, poucas, presenciais, e, em conjunto, termos o prazer em vermos ideias nascerem e ganharem forma, dando prazer a outros, servindo a Geografia na promoção de prémios, na edição de livros e na organização de encontros científicos, das olimpíadas e em sessões de debate e aprendizagem;
6. Ficar muito grato aos que me acompanharam na aventura. Eles sabem como eu gostei de os ter ao meu lado e de como o que foi feito só foi possível com eles. Obrigado António Bento Gonçalves, Eduarda Marques da Costa, José António Tenedório, Pedro Chamusca, Rui Gama Fernandes e Teresa Pinto Correia. Obrigado também Fernanda do Carmo pela companhia antes da saída para a Direção Geral do Território e aos que ocuparam os seus lugares noutros cargos, em especial aos presidentes da Assembleia Geral, Teresa Barata Salgueiro e João Guerreiro e ao Presidente do Conselho Fiscal, Rui Pedro Julião. Muito obrigado aos que me acompanharam no secretariado, a Clara, o Miguel e em especial o Pedro Rego que eu trouxe para gerir a comunicação. Por fim, um segundo obrigado, merecido, ao António Bento Gonçalves pela disponibilidade para me suceder, como votos de muitas felicidades a ele e a todos os que agora dirigem a nossa APG!