#52 Fátima Coelho

Fátima Coelho - Vice-Presidente da Região de Turismo do Algarve | Setembro 2020

Fátima Catarina Coelho
Nasceu a 14 de junho de 1960.
Licenciada em Geografia pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e Mestre em Administração e Desenvolvimento Regional pela Faculdade de Economia da Universidade do Algarve, é Vice-Presidente da Região de Turismo do Algarve e Vice-Presidente da Associação de Turismo do Algarve. Foi Presidente das empresas municipais de gestão de infraestruturas, Infralobo e Inframoura

1. Comentário a um livro que a marcou ou cuja leitura recomende.
Não é fácil responder a essa pergunta pois ao longo do tempo já tive livros de várias áreas que me marcaram, em função da época da minha vida. Lembro-me, com saudade, dos livros dos Cinco e dos Sete da Enid Blyton, que “animaram” a minha infância. Lembro-me, com ternura, do livro “O Principezinho” de Saint-Exupéry que me ajudou a sonhar... Poderia referir muitos outros mas vou focar-me num pequeno/grande livro que foi um aliado forte numa fase importante da minha vida profissional. Refiro-me ao livro “A Cidade das (i)Mobilidades” da amiga Paula Teles com quem partilhei projetos na área da mobilidade e do planeamento. É um livro técnico que nos mostra que muito há a fazer na área da mobilidade em Portugal. Sem dúvida que a Mobilidade e o Turismo são fatores centrais das transformações urbanas.

2. Que significado e que relevância tem, no que fez e no que faz, assim como no dia a dia, ser geógrafa?
A Geografia faz parte da vida de todos nós. Um geógrafo tem um olhar minucioso e integrador do território. O facto de ter uma formação tão abrangente e versátil faz com que um geógrafo consiga perceber um pouco de cada uma das várias áreas e ter mais facilidade na coordenação de projetos. Um geógrafo tem sempre presente que o território é um espaço socialmente diferenciado e vivido e, por isso, apresenta usos diversos consoante é abordado por diferentes pessoas ou grupos. As suas responsabilidades a nível social, ambiental, urbano são enormes!

3. Na interação que estabelece com parceiros no exercício da sua atividade, é reconhecida a sua formação em Geografia? De que forma e como se expressa esse reconhecimento?
No início da minha carreira profissional fui professora de Geografia e, sem dúvida que todos me reconheciam pela minha formação. Fora do ensino, nem sempre é tão fácil esse reconhecimento. Mas cabe a cada um de nós fazer com que todos percebam a importância de um geógrafo nas várias vertentes da vida profissional. Constato que, cada vez mais nos reconhecem e nos dão esse valor. Isso é evidente pelas questões complexas que cada vez mais nos colocam. 

4. O que diria a um jovem à entrada da Universidade a propósito da formação universitária em Geografia, sobre as perspetivas para um geógrafo na sociedade do futuro? 
Ao jovem estudante diria para ficar muito atento às várias vertentes do curso de Geografia, identificando as competências que melhor vão ao encontro do seu próprio perfil de forma a, no futuro, enveredar por uma carreira que o realize profissionalmente. De facto, o curso de Geografia é cada vez mais reconhecido e as oportunidades profissionais poderão ser muito diversificadas.

5. Queríamos pedir-lhe que escolha um acontecimento recente, ou um tema atual, podendo ambos ser de âmbito nacional ou internacional. Apresente-nos esse acontecimento ou tema, explique as razões da sua escolha, e comente-o, tendo em conta em particular a sua perspetiva e análise como geógrafo.
Face ao momento que se vive, escolheria o tema “Pandemia, mobilidade e turismo“ porque a COVID 19, afetou a mobilidade das pessoas em todo o mundo. Os impactes no turismo têm sido devastadores! Este tema é tão vasto que não cabe numa simples resposta… Como bem disse o secretário-geral da OMT,  Zurab Pololikashvili, o turismo foi o setor mais atingido por esta crise porque os países fecham fronteiras e as pessoas ficam em casa". 
Na realidade, o turismo ficou paralisado: existe o AC (antes do Covid) e o DC (depois do Covid). Urge repensar estratégias de mobilidade nas várias escalas de análise: desde a escala local (transportes públicos, ciclovias…) à escala mundial (viagens de avião, turismo de massas …). A hipermobilidade dos nossos dias facilitou a ampla difusão da Covid e o estrangulamento do turismo mundial. Importa agora analisar e avaliar esta nova Geografia das mobilidades de forma a repensar as novas tendências do turismo.

6. Que lugar recomendaria para saída de campo em Portugal? Porquê?
Sem dúvida alguma, recomendaria fazer uma visita às várias ilhas do paraíso que é o Parque Natural da Ria Formosa no Algarve. Este complexo lagunar integra habitats muito variados ao longo dos seus 60 Km de costa. É um paraíso para qualquer visitante, mas muito especial para um geógrafo. Lá pode encontrar diversas formações como ilhas-barreira, sapais, bancos de areia, dunas, salinas, lagoas de água doce e salobra, cursos de água… uma riqueza! A beleza deste espaço natural é indescritível. Para quem gosta de praia, lá dispõe de praias encantadoras onde o distanciamento social é completamente possível.